Tal como prometido aqui fica uma das frases de marca da minha avó:
"Cabeça desocupada é oficina do demónio".
Esta é uma frase que por qualquer razão, que não de índole sobrenatural, me vem assaltar o pensamento quando estou a vegetar ou a pensar em algumas coisas.
Mas vamos explicar como foi que ouvi esta expressão pela primeira vez...
A minha formação universitária foi e continua a ser sempre pelos lados dos humanidades e das ciências sociais... o que a partir de certa altura passou a ser sinónimo de rendimentos baixos e inconstantes (quem não ouviu falar das peripécias dos financiamentos de projectos de investigação) e numa altura limite significou grandes possibilidades de desemprego.
Ora, a minha avozinha... para quem a ideia de formação universitária passa sempre pelos médicos, advogados e engenheiros... viu com igual entusiasmo o futuro de um neto professor (ligação imediata entre os cursos de ciências sociais com os professores). Contudo, preocupado com a demora em encontrar uma profissão estável e bem remunerada (isto depois de ter recusado a de professor) e alarmada pelas notícias da tv sobre os jovens e a vida nocturna em Lisboa, numa tarde estival do Portugal profundo teve esta tirada fantástica no meio de uma conversa sobre a autarquia local: "Tu tens de arranjar alguma coisa para fazer... Não é bom ficares assim sem nada para fazer. Afinal "cabeça desocupada é oficina do demónio". Esta frase na altura fez-se rir às gargalhadas, mas depois fiquei a pensar se de facto teria algum fundo de verdade.
Normalmente quando ficamos muito tempo (profissionalmente) desocupados surgem-nos ideias que noutras alturas nunca nos lembraríamos, ou seja, formação em ciências sociais + desemprego + baixos rendimentos + baixas perspectivas de futuro = cenário negro dos licenciados em Portugal e o espectro galopante de me tornar um "paneleiro qualquer" ao invés do tão desejado gay (um destes dias explico a dialéctica destas expressões).
Mas no meio de todos estes pensamentos de alto nível, o nível começou a descer e o interesse a subir (e se bem me lembro deve ter subido mais qualquer coisita... mas adiante!), fui passando em revista os Demónios que já tinham passado pela minha oficina (refiro-me só à oficina mental, claro está!). No fim destas lembranças ofegantes resolvi escolher um demónio para habitar a oficina.
Seleccionei o Armando... um jovem de 25 anos, com 1,80, 70 Kg, olhos azuis e cabelos castanhos claros, um corpo fantástico e um sorriso lindo!. Ele passa os seus dias entre beber cervejas, comentar as fêmeas que passam e de martelo em punho (é carpinteiro!).
Cara avozinha, mal sabias que de entre todos os demónio que deambulam por aí, ia logo escolher o jovem Armando que te estava a fazer as escadas novas!! Achei que no meio daquele cenário rural ficava bem prestar a minha homenagem aos demónios rústicos, simples e campestres! (Pensei eu na altura!)
A partir daí, sempre que via um Demónio, começo logo a imaginá-lo a trabalhar na oficina!! E a imaginação é um instrumento tão poderoso... eheheh
Nesta altura ainda não tinha conhecido o meu Demónio favorito: o meu BF!
De qualquer forma imagino que de vez em quando haja algum demónio que povoe as vossas vidas e que vá ocupar a oficina...
Seja ela mental ou carnal.
Enfim... De gustibus et coloribus non disputandum
Amanhã teremos um post cultural!
terça-feira, abril 27, 2004
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