O meu avô diz que "ter carro é sinónimo de empobrecer alegremente"! (Isto agora parecia o Edson Athayde a falar sobre o tio Olavo).
Esta frase que durante muitos anos foi para mim um símbolo da geração rural de 1920... hoje tem contornos totalmente diferentes... Isto porque e aproveito para fazer aqui um reconhecimento público: "Avô, afinal tinhas razão!"
Por baixo de alguma sovinice típica dos seus 80 anos e de uma vida nem sempre fácil ao longo da 1ª metade do séc. XX, este comentário é talvez dos mais perspicazes que alguma vez ouvi.
Senão vejamos...
O tempo que se perde no processo de escolha e selecção do móbil: ele é comprar a "Auto-motor", o "Guia do Automobilística" e ver todos os stands possíveis e imaginários dos quais tenhamos conhecimento... Após algumas luas lá vamos comprar o carro; depois de todos os gastos feitos levados pelo aliciamento de extras e opções do cliente vêm os processos administrativos e lá vai cerca de 10% do valor do carro para a papelada burocrática.
Se contarmos com a gasolina (já agora a mais barata é nas bombas do Carrefour do Montijo) , revisões, inspecções, seguros, imposto municipal, lavagens automáticas, portagens, arrumadores (vulgo "moedinhas"), parques de estacionamento e parquímetros e as não menos conhecidas multas de estacionamento... compreendemos de imeditato onde foi que o meu avó foi buscar os fundamentos do seu raciocínio.
Claro que sempre que o meu avô sai do seu paraíso rural para uma incursão pelas avenidas da capital, basta meia-hora em qualquer transporte público, que já começa a dizer "mas porque não vamos de carro?!?!". É nesta altura que a minha avó lhe faz um olhar fulminante a que a idade e a convivência já ensinou a conter... Mas adiante...
De qualquer forma enquanto se "empobrece alegremente" sempre se goza as maravilhas que o facto de se ser um cidadão automobilizado proporciona. Apesar que desde que passei a utilizar com menor regularidade os transportes públicos, sinto falta de algumas rotinas: as longas filas de espera, os apertos e a asfixia causado pelos maus hábitos de higiene de alguns tugas (ainda bem que do alto do meu 1,88 m sempre se apanha algum ar fresco), as cenas de descompensação social e como não podia deixar de ser (esta a sério!) as longas horas de leitura com o patrocínio da Carris, da CP e do ML... O tempo de leitura é mesmo aquilo que mais sinto falta! Parece que o tempo que se poupa peloa utilização do transporte automóvel não é aproveitado, nem rentabilizado da mesma forma que a leitura patrocinada pelos transportes públicos...
Tal como lembra a frase das publicãções europa-américa: "Tantos livros e tão pouco tempo."
Enfim... De gustibus et coloribus non disputandum
Amanhã trago uma frase da minha avó.
segunda-feira, abril 26, 2004
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