domingo, maio 02, 2004

Silêncio e tanta gente

17:10



Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
É um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que eu sou.
______________________________________________

Ontem fui ao T.
Fui "pá night" com o meu bf!
Fomos dançar!
Já não ia ao T desde o ano passado. Aquilo estava um pouco diferente... felizmente para melhor! A decoração está diferente (aliás como sempre) mas está com boa onda e a música está muito melhor.
Foi uma noite muito boa apesar de alguns precalços sociais... totalmente inesperados! Mas foi uma noite excelente.
Apesar de parecer estranho, tendo em conta que estou a falar do T, mas foi uma noite calma.
E por isso mesmo foi uma daquelas alturas em que é possível observar o ambiente numa perspectiva sociológica... algo do género "Silêncio e tanta gente".
Depois de muitas vezes ir dançar ou como dizem algumas pessoas "ver e ser visto" no T, só ontem é que reparei na quantidade enorme de pessoas que estão sozinhas...
É verdade que cumprimentam, falam e beijam muita gente... mas estão sozinhas!!! Foram para aquele espaço sem ninguém!!!
Será que no meio daquela multidão de gajos não haverá nenhum compatível... seja para o que for!!
Quando andava pelos IRCs perguntava-me muitas vezes como será possível que alguns canais tivessem mais de 50 pessoas e todos tivessem o mesmo discurso: procuro namorado, gostava de ter alguém ou quero companhia! Era muita falta de sorte que não houvesse ninguém compatível.
Ontem no T (como talvez todos os dias) consegui identificar e comentar com o meu BF os vários tipos de gajos sozinhos que andavam por ali:
1 - O gajo que dança e bebe para esquecer;
2 - O gajo que dança sozinho tentando imitar algum ritual de acasalamento;
3 - O gajo discreto que fica no canto tipo ave de rapina a controlar tudo o que passa;
4 - O gajo que se baba por tudo o que passa.

Como é possível que num espaço de animação nocturna haja tanta gente desanimada?!?! Ontem vi pessoas com semblantes muito infelizes...
É então que no meu de tanta gente existe mais silêncio e solidão!

Já muitas vezes me perguntei como é possível que esta letra nunca tenha sido aproveitada pelo segmento social gay! (Corrijam-me se estiver errado e isto já tenha sido feito.)
Afinal o Festival da Canção de 1984 poderia ter servido para lançar um hino gay nacional com esta canção da Maria Guinot. :-)
Mas de facto quase todos os primeiros versos se adaptam à maioria dos ambientes dos sitios gay, ou pelo menos do T de ontem!
Sei que nos sitios hetero (e sei do que estou a falar porque os conheço) também há pessoas com estes comportamentos.
Contudo, devido aos entraves sociais com que temos de viver estas atitudes são mais acentuadas...
Senão vejam...
1 - "Às vezes é no meio de tanta gente, Que descubro afinal aquilo que sou"
2 - "Às vezes é no meio do silêncio, Que descubro o amor em teu olhar"
3 - "Às vezes é no meio de tanta gente, Que descubro afinal p'ra onde vou"
4 - "Às vezes é no meio do silêncio, Que descubro as palavras por dizer"

Enfim... De gustibus et coloribus non disputandum.

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